Trabalho, inovação e equilíbrio institucional

7 de maio de 2026

Beto Simonetti Presidente do Conselho Federal da OAB

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O debate sobre o trabalho no Brasil ainda olha, em grande medida, para o passado. Enquanto isso, a realidade já mudou e mudou rápido.

Novas formas de contratação, a expansão do trabalho por plataformas e o avanço da inteligência artificial estão redesenhando relações profissionais em uma velocidade que o Direito nem sempre acompanha. O resultado é conhecido: insegurança jurídica, aumento da litigiosidade e um ambiente de incerteza para trabalhadores e empregadores.

Não se trata de negar direitos nem de frear a inovação. O desafio contemporâneo é mais sofisticado. É garantir proteção sem engessar. É regular sem sufocar. E, sobretudo, é oferecer previsibilidade em um cenário que muda constantemente.

A experiência recente mostra que respostas simplistas não funcionam. A tentativa de enquadrar novas realidades em modelos antigos tende a produzir distorções. Por outro lado, a ausência de parâmetros claros abre espaço para decisões divergentes e compromete a estabilidade das relações.

É nesse ponto que a segurança jurídica deixa de ser conceito abstrato e passa a ser elemento concreto da vida econômica e social. Sem previsibilidade, não há planejamento. Sem planejamento, não há investimento. E, sem investimento, o trabalho, em qualquer de suas formas, perde sustentação.

A advocacia tem papel central nesse processo. É ela que está na linha de frente dessas transformações, lidando com conflitos inéditos e ajudando a construir soluções jurídicas para problemas que ainda não têm resposta pronta.

Na prática, isso significa mais do que defender interesses em juízo: significa contribuir para a formação de entendimentos consistentes, capazes de orientar o mercado e proteger direitos de forma equilibrada.

A Ordem dos Advogados do Brasil tem chamado atenção para esse ponto ao investir em capacitação e ao defender que a inovação jurídica caminhe ao lado da responsabilidade institucional. A tecnologia não é uma ameaça à advocacia, mas um fator de transformação que exige preparo e compromisso com a qualidade do exercício profissional.

O Brasil não precisa escolher entre modernização e proteção social. Precisa, sim, construir pontes entre esses dois objetivos.

O trabalho mudou. E o Direito, se quiser continuar cumprindo sua função, não pode chegar atrasado nem precipitado. O equilíbrio, mais uma vez, será o verdadeiro teste das instituições.

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