Museu da Justiça: diálogo entre a memória e o futuro

4 de agosto de 2025

Da Redação

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A solenidade de abertura contou com a presença do corregedor-geral da Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Cláudio Brandão; da presidente do Conselho Gestor do Museu da Justiça, desembargadora Renata França; e do presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto de Castro. Foto: Bruno Dantas/TJRJ

Com novas salas interativas e mostras sobre Dom Pedro II e a Constituição de 1824, instituição reabre em grande estilo, buscando fortalecer a cidadania e a conexão com a sociedade

Nos corredores do Antigo Palácio da Justiça, onde o peso da história se sente em cada detalhe arquitetônico, nova era de interação e diálogo com o público começa. A primeira grande fase de revitalização do Museu da Justiça do Rio de Janeiro, inaugurada no dia 10 de julho, marca o início de projeto ambicioso que visa aproximar a sociedade do universo jurídico de forma atraente e inovadora. Sob a gestão do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, a iniciativa reforça o papel estratégico da cultura como ponte para o futuro da instituição.

A reabertura apresenta duas novas exposições permanentes e interativas, que mergulham nas origens das leis e na história do Direito no Brasil. Além disso, duas mostras temporárias de grande relevância marcam o calendário: uma sobre os 200 anos da Constituição de 1824 e a exposição principal, “A partilha de Pedro II”, que investiga o legado e a memória do último imperador do Brasil.

Durante a solenidade de abertura das exposições, a presidente do Conselho Gestor do Museu da Justiça, desembargadora Renata França, ressaltou a importância da parceria com o setor privado e com espaços culturais consolidados para a construção do projeto de revitalização do museu.

A desembargadora falou sobre a necessidade de se aproximar o Poder Judiciário e a sociedade fluminense. “Um dos nossos principais objetivos é tornar o direito e o Poder Judiciário mais acessíveis para a população em geral, utilizando linguagem simples e experiências interativas. Entendemos a importância de que a nossa linguagem seja mais fácil, para que as pessoas tenham interesse de vir a um museu e que entendam qual é o nosso trabalho e como isso pode impactar diretamente a vida de cada cidadão.”

Em seu discurso, o presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto de Castro, destacou a relevância de se investir em espaços culturais. “O museu congrega a ideia de valores materiais e imateriais, passado e presente, tudo o que representa a cultura. Ao falarmos do Museu da Justiça, estamos fazendo a guarda e armazenando esses valores e tudo aquilo que representam. Tudo que temos aqui é de suma importância para olharmos para o amanhã.”

Interatividade e modernização – A grande aposta da revitalização está em suas novas salas permanentes. Com um projeto que une arte, tecnologia e design, os espaços “Origens do Direito e princípios da Justiça” e “História do Direito e da Justiça no Brasil” foram concebidos para serem imersivos. Visitantes podem navegar por conteúdos que abordam desde as primeiras leis escritas no mundo até os códigos que formaram a tradição jurídica brasileira.

“No Museu da Justiça, tivemos a honra de modernizar um espaço que guarda memória importante e que precisa contar suas histórias para diferentes gerações. Fizemos tudo isso com experiências inclusivas e interativas, para cumprir essas missões de conectar o público de forma original”, afirma Liana Brazil, diretora criativa da SuperUber.

A cronologia histórica destaca casos judiciais marcantes e personagens fundamentais na luta por direitos, como o advogado abolicionista Luiz Gama, o líder Guarani e ambientalista Marçal Tupã-y e a presa política Inês Etienne Romeu, mostrando que a história do Direito é feita por pessoas e suas batalhas.

Exposições Temporárias: Pedro II e a Constituição de 1824 – A exposição principal “A partilha de Pedro II”, em cartaz até 11 de setembro, é um dos pontos altos da reabertura. Com a curadoria de Paulo Knauss e Marcia Mello, a mostra reúne mais de 100 obras de acervos prestigiados como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), o Museu Imperial e o Museu Histórico Nacional. Provocada pelo inventário esvaziado de Dom Pedro II, que pertence ao acervo do próprio Museu da Justiça, a exposição percorre seus anos finais, desde a expulsão da família real em 1889, e investiga o rastro de seus bens e coleções.

De forma inovadora, a mostra estabelece um diálogo com o presente ao integrar obras de artistas contemporâneos como Rosana Paulino, Yhuri Cruz e Claudia Jaguaribe, que refletem sobre a memória e o legado do imperador.

Paralelamente, exposição menor celebra o bicentenário da Constituição de 1824, com objetos históricos e uma vídeo-animação didática que explicam a importância da primeira Carta Magna do país.

Por trás da revitalização: parcerias e visão estratégica – Iniciado em 2023, o projeto de revitalização é fruto de parceria entre o Museu da Justiça e a empresa cultural Fora, utilizando mecanismos como a Lei Federal de Incentivo à Cultura. “Nossa equipe aliou a formação jurídica com a experiência em pensar temas e curadorias a partir do interesse público e do enfoque cultural. Junto com a equipe do Museu, nosso objetivo é proporcionar aproveitamento museológico e exposições que sejam atraentes para todos”, explica Fabricia Ramos, sócia da Fora.

Para a desembargadora Renata França, que coordena o projeto, o objetivo é claro. “A revitalização do Museu da Justiça tem como principal objetivo a aproximação da sociedade com os temas ligados às instituições jurídicas por meio da nossa história e de uma comunicação direta, eficaz e também divertida. Queremos dialogar sobre a evolução da Justiça e contribuir, dessa forma, para a formação de uma cultura e de uma sociedade mais justa.”

 A mostra principal “A partilha de Pedro II” investiga o legado e a memória do último imperador do Brasil